ACOMPANHEM O MEU PROJECTO 365 E OPINEM

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

3, 2, 1,...


Faz hoje uma semana que passámos, efectivamente, a dormir cá em casa 3 pessoas.
O rapaz está grande, cheio de vida, e como se pode ver com a voz muito bem afinada...
A primeira noite não foi nada má, foi como um relógio: acordava na hora para mamar e voltava a dormir!
Impressionar, impressionou, e deixou-nos desconfiados, mas...
Já da noite seguinte são bom exemplo as fotos em cima tiradas madrugada fora.
Palpita-me que o relógio da primeira noite terá avariado...
Tudo é novidade:
a primeira muda de fralda normal
a primeira muda de fralda com direito a banho (mijadela - em bom português)
a primeira muda de fralda com direito a vários banhos
a primeira conjuntivite
o primeiro banho normal
o primeiro banho com direito a brinde
o primeiro arroto
a primeira flatulência (em bom português - peido)
enfim...
Agora um pouco de humor: porque é que a sociedade me discrimina quando eu faço algumas destas coisas, nomeadamente a 7ª e a 8ª, e não discrimina quando é um bebé a fazê-lo...
E não é tão linda a primeira foto... um olhar que nos derrete... quanto às seguintes... ossos do ofício!

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

UM NOVO MUNDO


O João Francisco ali estava.
Um rapagão de 3,420kg. Lindo, luminoso. Aquele som (que tenho a certeza que me irritará algumas vezes quando o ouvir mais tarde), naquele momento foi a mais bela sinfonia que podia ouvir.
A mamã, ainda atarantada com a anestesia e com o cansaço, contemplava-o radiosa.
Tê-lo nos braços a dormir... Ouvir a sua respiração... Ver os gestos instintivos… Sentir as suas frágeis mãos apertarem-me os dedos…
Ao ver esta foto fico sem grandes palavras…
Lutar por ele é o mínimo a que me proponho.
Um mundo novo acordou neste mundo.
O nosso filho nasceu!

MOMENTOS

A contagem decrescente continuava.
Os dias iam passando uns atrás dos outros.
O nervosismo que se ia acumulando, era diluído no trabalho e nas tarefas domésticas.
A véspera chega. Um dia de temperaturas muito baixas. Um nervosinho miudinho acentua-se ao chegar a casa: “Deve ser amanhã…”
A noite foi descansada, de contracções falando. O rapaz certamente iria necessitar de uma ajudinha extra para nascer.
Nasce o dia. Um misto de calma salpicada por pitadas de ansiedade disfarçada, ou ansiedade salpicada por pitadas de calma disfarçada, invade o espírito enquanto vou saímos de casa e nos aproximamos da porta grande da entrada do bloco de partos.
A Liliana entrou. No lado de fora da porta, dou início à loonga espera.
Alguns minutos e “-É para hoje! Vai buscar a roupa dela!”
A caminho do carro por algumas vezes o meu pensamento começa a divagar interrompido algumas vezes por: “-Onde raio é que deixei o carro?”
De volta à porta do Bloco, tenho a companhia de outros “cavaleiros” que aguardam a saída das suas “donzelas” acompanhadas pelos seus “reais rebentos”.
O tempo vai passando. A conversa com um papá amigo à espera do terceiro, ajuda a acalmar e a levar o pensamento para outras paragens. Mas parece que o terceiro deste papá não vai ser para hoje.
Fico só. Começo a vaguear. É um pouco difícil descrever estes momentos.
É um vazio cheio.
Um vazio, porque está à espera de ver passar por aquela porta alguém que encha o espaço de luz.
Um vazio, porque a inexperiência não tem respostas para os problemas que ainda não vieram.
Um vazio, que fica mais vazio quando passa uma cama e… ainda não é desta.
Um vazio, talvez estrategicamente esvaziado para controlar as emoções e as reacções.
Recordo-me dos livros de BD do Tio Patinhas, nas passagens em que ele andava a pensar sempre em círculos e começava a fazer no chão um buraco. Quantos buracos já não deverão ter sido feitos naqueles corredores…
Uma enfermeira vem e vou com ela levar as malas até ao quarto onde os meus mais que tudo irão ficar.
De volta ao meu posto de guarda a médica passa e diz que vai ser agora.
Largos minutos e a enfermeira volta. “-Já nasceu. Já está vestidinho e agora estão a tratar da sua esposa.”As portas abrem-se de par em par. Como que um mar de luz sai por elas e ilumina-me o espírito. O vazio fica cheio, a transbordar. A minha donzela e o real rebento.
 

Web Page Hit Counters
Visitas à minha varanda